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Não teria nenhum Dickinson sem sua personagem de título, a poeta Emily Dickinson, e a fenomenal jovem atriz que a interpreta, Hailee Steinfeld. Agora com 24 anos, Steinfeld ganhou uma indicação ao Oscar com seu filme True Grit uma década atrás. Ela traz uma postura e presença para a escritora atormentada, cujo enredo da segunda temporada dança com a sua fama e a experiência variada de interações memoráveis.

Awards Radar teve a oportunidade de pegar Steinfeld no meio de filmagens enquanto ela está no set filmando a terceira temporada para discutir os vários atores convidados, encontrando Nobody, e uma pequena provocação do que virá para as pessoas de Amherst.

Essa série parece muito divertido de fazer – como foi a experiência de filma-lá?

Igualmente divertido, se não mais. É engraçado porque depois que a segunda temporada saiu, eu fiquei sabendo de muitos fãs pedindo por erros de gravação. Embora nossa série não seja amigável para erros de gravação, se tivesse uma câmera no meio das filmagens para capturar esses erros de gravações fora das câmeras, se você me entende, você teria um filme inteiro deles. Nós estamos constantemente brincando, mantendo uns aos outros com os pés no chão. E apenas mantendo tudo vivo no meio das gravações e fora do set, o que é a melhor parte de tudo.

Você era fã de Emily Dickinson crescendo e você um dia esperou interpreta-lá?

Eu definitivamente nunca esperei isso, não. Eu não era muito familiarizada com o trabalho dela antes dessa série, eu sempre tenho esses momentos nos quais eu sou muito grata que o que eu faço me introduz para pessoas e materiais que eu só posso desejar que tivesse encontrado antes. Mas eu sou grata por essa série servir de introdução para essa incrível mulher e seu trabalho.

Você ganhou uma apreciação maior por poesia por fazer essa série e recitar tantos poemas?

Meu deus, absolutamente. Eu aprendi, e eu acho que poesia realmente está em todos os lugares. E eu acho que o que é tão incrível sobre a poesia de Emily é que ela nunca seguiu regras. Ela usou espações e pontuações interessantes, em momentos onde você não necessariamente colocaria, mas ela fez isso seu. Ela fez o que ela queria, ela escreveu como ela queria, e ela escreveu tudo que ela pode possivelmente querer sem se segurar, o que eu acho um tanto quanto especial.

Emily parece mais isolada na segunda temporada, especialmente no episódio em que ninguém consegue vê-la. Como foi a experiência de fazer esse episódio?

Isso foi particularmente confuso. Nas primeiras horas do primeiro dia de filmagem daquele episódio, começamos com a cena para perceber que eu sou de fato invisível, onde minha mãe e Lavinia estão conversando sobre onde eu poderia estar e eu estou sentado bem ali. Foi provavelmente um dos mais longos, talvez. Para efeitos de som, um de como eu não os interrompo e deixo muitas pessoas com raiva de mim depois deles não podendo ouvir dizer suas falas quando estou realmente gritando sobre eles dizendo que estou aqui, e descobrir o tempo e a logística disso era coisa própria. Mas direi, apenas do ponto de vista narrativo, uma história realmente interessante para ser contada sentindo-se absolutamente invisível e não visto. Com toda essa temporada mergulhando nas ideias de fama, exposição e atenção, o que isso poderia realmente fazer você se sentir. Os extremos opostos do espectro que você poderia experimentar em termos de querer isso. Esse é um fim, que é a invisibilidade. Eu acho que o conceito daquele episódio foi bem legal, e eu gostei de brincar com isto.

Falando em fama e exposição, você teve um ótimo coadjuvante na segunda temporada, Finn Jones. Como foi sua dinâmica no set e como vocês trabalharam juntos para levar seus personagens em sua jornada de montanha-russa?

Finn Jones é tão maravilhoso. Eu estou constantemente surpresa com as incríveis estrelas convidadas que somos capazes de obter neste show que vêm do nada e apenas detonam nestes personagens que eles interpretam em questão de segundos. Finn entrou, e ele até foi escalado no último minuto, entrou e assumiu o papel de Sam Bowles. Esta relação entre Emily e Sam é uma intriga e mistério que Emily está realmente tentando ir a fundo e descobrir. Ela ama essa pessoa, ela ama a ideia dessa pessoa, ela ama a ideia do que ele tem a oferecer a ela e tem curiosidade de que isso seja mais do que uma ou duas coisas. É uma espécie de montanha-russa em certo sentido, e se torna um triângulo entre Emily, Sam e Sue, e há muitos questionamentos se as intenções são puras. Se Sue está empurrando Emily para Sam para seu próprio benefício ou para o benefício de Emily, isso envia Emily para uma espiral de confusão que a leva a um momento em que ela percebe que ela escreve por amor e não por fama.

Eu ouvi de Ella sobre a jornada pela qual Emily e Sue passam. Eu imagino que foi uma grande mudança em relação à proximidade que os dois personagens sentiram na primeira temporada e a distância que você teve que construir antes de chegar a esse clímax no episódio dez?

Com certeza. O relacionamento delas é tão complicado porque são os extremos de proximidade e os extremos de distância que eles sentem. Embora a maior distância que elas vão sentir fisicamente seja estar do outro lado da rua, Emily até diz que as persistente (é uma planta que tem folhagem que permanece verde e funcional por mais de uma estação de cultivo) parecem estar a cem anos de distância, que está sempre longe, quando ela não se sente conectada a ela emocionalmente. Na segunda temporada, logo de cara, Emily está confusa. Ela começa confusa com o brilho da nova vida de Sue. Ela a vê se transformando naquilo que, no fundo, sabe que não é. O que é tão bonito é que seu relacionamento pode ir até os confins do universo, mas elas ainda voltam uma para a outra. E no final dessa temporadas, elas se prometem uma para a outra, o que é tão lindo.

Outra bela parte da segunda temporada, que também muito assustadora, é o relacionamento que se desenvolve entre Emily e “Ninguém”, especialmente quando isso se transforma em outra coisa no final da temporada. Como foi filmar algo que foi possivelmente a parte mais séria do show?

Uma coisa que eu amo e continuo a me impressionar é como Alena Smith, nossa escritora e criadora, traz conceitos para esta série como personagens. Tivemos a “morte” e agora temos “ninguém”. A ideia de “Ninguém” ser uma pessoa, um lembrete para Emily de que sua vida poderia ser assim, é meio que assustadora. Você disse isso perfeitamente. É essa pessoa muito misteriosamente assombrada que está parada na frente dela, dizendo a ela para não buscar fama, para ficar em seu quarto e escrever para si mesma, que ela será mais feliz assim. E é aquela coisa de quando você ouve isso, você realmente tem que ver o outro lado por si mesmo. Tão complicado quanto, aliás, descobrir como filmar aquelas cenas em que eu seria o único a vê-lo e ninguém mais veria. Will, o ator que interpreta Ninguém, é tão maravilhoso e trouxe uma essência para aquele personagem e para o nosso show que é poético, estóico e assustador, como você disse.

Há tantos atores com pequenos papéis sobre os quais poderíamos falar. Eu queria mencionar Timothy Simons como Frederick Law Olmsted e como o episódio foi divertido, nos perdemos juntos e não sabíamos muito bem o que era real. Você tem boas lembranças de fazer aquele episódio ou de qualquer outra estrela convidada que realmente causou uma boa impressão?

Me lembro de pensar e sentir desde o início, que a conversa inclui eu, Edward Dickinson, Austin Dickinson e o Olmsted. E no minuto em que o Olmsted se afasta e eu começo a persegui-lo, imediatamente senti que esse poderia ser o seu próprio episódio, por si só, segui-lo por um jardim e um labirinto sem fim. Nós nos divertimos muito juntos. O timing de Timothy é tão incrível. Novamente, outra coisa incrível para explorar com essa figura histórica. Como mencionei, estou sempre impressionada com esses atores que podem entrar e fazer essas coisas tão rapidamente, mas não só isso, essa é a generalização disso, mas entrar e interpretar esses personagens históricos de uma maneira que você nunca faria. Ele apenas trouxe uma grande peculiaridade, sagacidade e humor para esse personagem que foi realmente maravilhoso.

Você é o protagonista deste show, então obviamente você consegue interagir com a maior parte do elenco, mas há alguém com quem você adoraria compartilhar cenas, mesmo que suas histórias não combinem logicamente?

Ooh, é engraçado. Tenho muita sorte em passar meu tempo com quase todo mundo. Amo Jane Humphrey, Abby, Abiah e Toshiaki. Essa turma é tão divertida, e Emily os ama como amigos que estão lá desde sempre, mas eles nem sempre concordam com tudo. Acho que seria divertido deixá-los mergulhar em um mundo que nunca vimos. Eu também tive algumas cenas maravilhosas com Austin e Lavinia, e tivemos algumas ao longo das temporadas juntos, nós três, e eu sempre quis mais deles como irmãos. Eu acho que é uma dinâmica realmente maravilhosa que todos eles têm.

Toby, Ella e Anna indicaram apenas que veremos muito da Guerra Civil na terceira temporada. Há algo que você pode dizer sem se meter em problemas sobre o que o público pode esperar?

Uma coisa que eu acho que as pessoas vão ficar muito satisfeitas em ver quanto crescimento houve durante a terceira temporada. Houve muito durante a primeira e a segunda temporada, mas eles estão em uma época diferente agora e como meus outros colegas de elenco parecem ter mencionado, sim, isso acontece durante a Guerra Civil. Esse é o seu próprio tempo. Eles viveram isso, e há muito sofrimento. Há muita escuridão. Com isso, é claro, não seria Dickinson sem a comédia e a histeria maravilhosas e absurdas. Tudo está enraizado na realidade do tempo em que eles estão vivendo, que é sombrio. Todos eles tiveram que crescer bastante e todos cresceram. É uma temporada muito madura. Estou realmente ansiosa para compartilhar com todos.

As primeira e segunda temporada de Dickinson estão disponíveis exclusivamente na Apple TV+.

 

Fonte: Awards Radar

Tradução e adaptação: Hailee Steinfeld Brasil

Salvo em: Dickinson | Entrevista
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