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Quando Hailee Steinfled é deixada para auto-fotografar sua própria GLAMOUR UK capa, ela definitivamente não se segura. Incluindo ela devorando cupcakes em um vestido de gala rosa e saltos de arranha-céus, sentada no chão da cozinha dela. Mas você não esperaria nada menos da atriz de 24 anos, que ascendeu a fama como uma nomeada ao Oscar aos 13 anos no filme dos irmãos Coen, True Grit, antes de estrelar na franquia Pitch Perfect, recebendo sua segunda nomeação por The Edge Of Seventeen e lançando sua própria carreira solo musical com hinos empoderados como Love Myself e Starving, recebendo mais de 1.4 bilhões de streams no Spotify. Ah, e ela tem mais de 13 milhões de seguidores no Instagram que são igualmente obcecados com suas selfies e seu ativismo, com Hailee recentemente se juntando ao movimento #VidasNegrasImportam, no qual viram ela despertando consciência da violência da policia e tratamento prejudicial dos negros da comunidade LGBTQ+.

Mas como muitos de nós, encarada com uma pandemia global, Hailee foi forçada a ficar parada e ficar sozinha com ela mesma em uma maneira que ela não tinha conseguido ficar desde os 13 anos de idade. O que ela aprendeu sobre ela mesma durante essa experiência? “Muita coisa”, Hailee suspira, falando sobre sua casa de Los Angeles, onde ela está em lockdown com seus pais – Cheri, uma design de interiores, e Peter, um personal treiner – e seu irmão mais velho Griffin, um piloto de carros profissional.

“Eu passei por muitas fases em que ou eu estou ficando louca ou não. Eu não tinha esse tipo de tempo desde antes de eu começar a trabalhar quando eu era nova, então eu sinto que cresci muito como pessoa – emocionalmente e mentalmente. Eu também pude tirar um tempo para mim mesma e cuidar de mim em maneiras que eu não posso quando estou na estrada. Eu nunca tinha me dado a oportunidade de refletir e apreciar o quão longe eu cheguei. Eu não estava ciente disso antes, então eu me sinto mais confiante e confortável na minha prórpia pele e na minha vida” ela diz orgulhosa.

“Eu percebi, tem uma diferença entre ser só e estar sozinha. Eu aprendi que estar sozinha não é uma coisa ruim, e que na verdade pode ser ótimo.”

Lockdown a parte, Hailee também credita sua própria jornada em direção a entender ela mesma a interpretar Emily Dickinson, a subestimada poeta do século 19, que apenas foi publicada depois de sua morte, na série premiada da Apple TV, Dickinson – na qual Hailee também produz. Renascida como uma quebradora de regras que é sufocada pelo seu espartilho e as expectativas sociais das mulheres, Emily embarca num secreto romance com sua melhor amiga e escreve longamente sobre seus pensamentos mais sombrios, o que à leva a Wiz Khalifa, a personificação da série da morte, chegando tarde da noite na porta da casa dela para um passeio de carruagem. É o drama de época mais surreal que você irá assistir, mas a mensagem é clara: não f*da com uma mulher empoderada.

“Interpretar essa personagem atravessa entre todas as fendas de pensamento do seu cérebro”, ela comenta. “Tem alguns que são confusos, alguns que você chamaria de estranho e tem outros que são sombrios e assustadores. Na poesia dela, ela fala sobre tudo que passa no cérebro dela, de demônios à assassinato, o túmulo, da própria morte à natureza, borboletas e abelhas. Tem sido divertido cavar naqueles pequenos espaços no meu cérebro, porque ela fala o que muita gente tem medo de falar e o que você não quer nem mesmo pensar quando você esta num quarto sozinha. Eu tive muitos momentos de autodescobrimento nisso.”

Ela administrou o impacto mental do papel treinando com seu pai, que tem uma academia que rivaliza com o Barry’s Bootcamp na casa da família, e se apoiando nos seus companheiros de elenco de Dickinson – mais notavelmente Anna Baryshnikov, que chama Hailee como ‘irmã biológica’. “A dinâmica em ser parte dessa família de Dickinson é que todos nós fomos a esses lugares sombrios juntos. Eu vou para um lugar e ás vezes é difícil de me puxar de fora de lá”, Hailee divulga.

Pode ser curativo também? “Ás vezes a parte de seguir em frente não é necessariamente fácil enquanto volto a interpretar essa personagem de novo e de novo, esses pensamentos voltam. É estranhamente familiar a escrever músicas sobre algo na sua vida. Eu recentemente escrevi sobre algo que eu não senti que iria falar com ninguém sobre. Toda vez que eu tenho que cantar essas músicas agora, trás esses sentimentos de volta”, Hailee diz, referindo ao seu mais recente EP, Half Written Story, que inclui seus contos muito pessoais de amor e términos. Uma dessas músicas, Man Up, notavelmente contém a letra, “Meu irmão te odeia, minha mãe te odeia/ Meu pai e minha irmã, também/ Espera, eu nem tenho irmã/ Mas se eu tivesse, ela te odiaria.”

Muito tem sido feito da vida particular de Hailee, desde um rumorado longo relacionamento com Niall Horan, à múltiplas colunas sobre suspeitos relacionamentos com Justin Bieber e sua co-estrela em Romeo and Juliet, Douglas Booth. Como ela se sente sobre o fato de que, em 2020, pessoas ainda estão definindo mulheres por seus relacionamentos? “É o seguinte, eu sou igualmente investida nesse mundo como outras pessoas como eu sou com a individualidade do que eles fazem e o que eles trazem para a mesa. Eu acho que é algo que a pessoa pode escolher; quanto ou quão pouco eles querem que as pessoas saibam.”

“Eu ia falar sobre estar no controle disso, mas o problema é que muitas pessoas não sentem que têm controle sobre o que as pessoas sabem sobre elas ou descobrem sobre elas. Alguns de nossos momentos mais privados podem ser de alguma forma divulgados ou vazados e não temos controle sobre isso, o que é uma coisa difícil de compreender. Eu me sinto muito feliz por estar no lugar em que estou. Eu me sinto abençoado por estar trabalhando e interpretando papéis incríveis, produzindo um projeto incrível, e é disso que quero falar, é disso que tenho mais orgulho; é isso que eu quero que as pessoas saibam, e elas podem escolher concordar com isso ou não.” Proclama, Hailee!

Para todos os altos durante a carreira meteórica de 10 anos de Hailee, também houve baixas, incluindo perder o papel de Katniss Everdeen em Jogos Vorazes para Jennifer Lawrence. Embora Hailee finalmente consiga adicionar uma flecha em seu armamento, como acaba de ser anunciado, ela estrelará ao lado de Jeremy Renner na série de personagem homônima Hawkeye, onde interpretará a icônica arqueira de quadrinhos da Marvel Kate Bishop em uma nova série Disney+ – previsto para ser lançado no próximo ano. O que ela aprendeu sobre o preço do sucesso e o conceito de fracasso? Acontece que manter o ritmo consigo mesma é a maior batalha de Hailee. “Com Dickinson especificamente, me tornar um produtora, assim como estrelar na série, foi muito para mim. Não há como negar que foi um desafio”, diz Hailee. “Eu estava lançando música ao mesmo tempo e havia muita coisa acontecendo, e sempre fui do tipo que dedica 210% de mim mesmo ao que quer que esteja bem na minha frente, e quando há 472 coisas, é muito difícil fazer isso.”

Como ela lida com as críticas e sua própria autocrítica? “Eu acho que isso nunca vai acabar”, responde Hailee. “Quando vi True Grit pela primeira vez, fui com minha família e nos sentamos em um pequeno teatro que havia sido montado para nós. Quando o filme acabou, as luzes se acenderam e as pessoas começaram a se levantar ao meu redor e eu apenas fiquei sentada vidrada na tela porque assistia a cada nome que saía dos créditos. Eu me sentia tão conectada a todos eles – do departamento de figurinos aos punhos – conhecia todos eles, eram meus amigos. Não foi até aquele momento que eu percebi que havia tantas pessoas que trabalharam incansavelmente para fazer este filme. Estamos todos juntos nisso, também somos apaixonados por uma coisa e independentemente do que as pessoas pensem, temos orgulho do que fizemos e isso é um sentimento muito legal.”

Com uma carreira premiada multitalentosa em seu nome, eu me pergunto se ela já se sentiu restrita por nosso mundo, que ainda tenta classificar as mulheres. “Honestamente, sinto que faço parte de uma geração que está constantemente quebrando barreiras, ultrapassando os limites e pulando para novos territórios, e isso está se tornando mais aceito”, diz Hailee. “Eu sinto que, na minha cabeça, eu me coloquei em uma caixa mais do que a sociedade. Eu acho que definitivamente existem padrões sociais que são ridículos, e eu não sinto nenhuma pressão para viver de acordo com nenhum deles. Eu sinto que tenho meus próprios e é muito fácil me deixar levar por eles.”

“Eu ainda preciso entrar na minha cabeça, seja no trabalho ou na vida pessoal”, ela continua. “Eu encontrei certas pessoas em minha carreira que disseram, quando eu estava mudando para a música, ‘Bem, você é um atriz ou você é um cantora?’ Foi quando eu respondi que eu sou um artista. Olhe para artistas como Halsey, que é uma poetisa incrível, uma pintora incrível, ela é uma dançarina – ela é uma artista. Existem tantas facetas em tantos deles, então por que eles deveriam apenas cantar e ficar atrás de um microfone?”

“Eu mesmo questionava essas coisas antes de começar a lançar música, e às vezes há uma espécie de estranheza quando você vê alguém fazendo um crossover ou entrar em um novo território, o que é ridículo. Talvez seja me colocar menos em uma caixa na minha cabeça, mas apenas me questionar por causa das caixas em que as pessoas costumam colocar outras.”

Garanto a Hailee que ela serviu mais bangers (prato muito popular no Reino Unido) do que um bom café gorduroso de colher. “Eu sei – dane-se eles”, ela ri. E aí está o segredo do sucesso de Hailee: seu espírito único e tempestuoso e sua incapacidade de ver qualquer obstáculos colocados em seu caminho.

A segunda temporada de Dickinson estará disponível na Apple TV a partir de 8 de janeiro.

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Salvo em: Entrevista
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